Depois de um hiato forçado, dou continuidade no post da visita à BadBug Garage.

Dica 02 – SUSPENSÃO, FREIOS E CÂMBIO

Uma grande dica que tirei do Eric foi o uso da suspensão traseira da VariantII brasileira ou da Kombi, isso porque a suspensão original do fusca é baseada num facão rígido, isso faz com que, ao rebaixar, as rodas se inclinem para dentro, é bastante comum vermos fuscas rebaixados com essa formatação nas rodas traseiras. O resultado é, além da desarmonia visual, o evidente desgaste do pneu e da própria suspensão.

A suspensão do tipo IRS ou Independent Rear Suspention, utilizada na Variant II e na Kombi não causa esse desequilíbrio, assim o desenho da suspensão deixa que pneus continuam retos. No aspecto visual as vantagens são óbvias, dando um resultado harmônico no conjunto traseiro. No técnico, melhores ainda, tendo reflexo direto na estabilidade do carro, deixando mais confortável de andar e guiar, portanto, mais seguro. Além disso, as rodas retas permitem um aproveitamento maior do espaço na traseira do carro possibilitando que, no projeto de design, este seja melhor aproveitado, o ideal é encontrar um conjunto de suspensão traseira IRS de Variant II ou Kombi, com jogo de câmbio, os freios a disco.

Anúncio de época da VariantII

Bom, daí pra frente temos um mar de opções de adaptação, afinal estamos trabalhando com um Fusca. Podemos optar por um câmbio de quatro marchas de SP2/Kombi ou até de cinco marchas, várias configurações de suspensão e outras tantas para freiar sua máquina. Dependendo, é claro, das idéias, disposição e da grana no bolso. Penso de início num de 5 marchas, pra manter a idéia de conforto ao dirigir, freio a disco e uma suspensão IRS não muito baixa, não quero socar o carro no chão.

No quesito “grana no bolso”, Eric dá outra dica: A EMPI Volkswagen Parts. Uma espécie de Mopar para VW’s, onde você econtra todo tipo de peça ou equipamento relacionados à montadora alemã, de kits de carburação a adereços internos e externos. O preço é outra história.

Chegou a hora de falar do meu “Projeto Volksrod”. Para tanto fiz uma visita a Bad Bug Garage, para tirar todas as minhas dúvidas sobre como construir um Volksrod. A conversa serviu preu decidir qual caminho seguir e como viabilizar o meu projeto, mas também serviu para trazer essas informações para o blog e compartilhá-las. Afinal, a informação é feita pra rodar.

A oficina de customização é a pioneira na idéia dos Volksrods aqui no Brasil, como já havia comentado, foi quando vi o fusca Harley Bug (uma das primeiras criação da oficina), que ficava parado perto da minha casa, em frente ao prédio onde morava Eric Martins, dono da Oficina e Escuderia daqui de São Paulo, que decidi levar a frente essa história de projetar um fusca Hotrod ou, o Volksrod. Entre idas e vindas acompanhei como espectador a evolução da idéia e da oficina, antes na Lapa, depois na Pompéia e agora em definitivo na Caio Graco, na Lapa novamente.

A Bad Bug Garage surgiu de um passatempo de amigos, e uma vontade “do it yourself”. Desde o primeiro fusca, preto fosco com rodas vermelhas, a evolução é clara, e as propostas cada vez mais ousadas, como um volksrod baseado no raro modelo Stoll Coupe que estava em fase de produção quando visitei a oficina e será um carro de exposição, e num projeto futuro, comentado por Eric, de um Fusca pickup com motor V-8, um “autêntico” hot rod. A criatividade é o limite e caracteriza o posicionamento da Escuderia.

Foram mais de 1 hora de papo começando ao som de Black Sabbath que tocava no rádio, e mais um tempo para uma sessão de fotos ao bom e velho estilo old School, usando uma camera russa, a Lomo e uma Pentax K1000 totalmente mecânica. Infelizmente não consegui pegar nenhum projeto em finalização, de qualquer forma o ambiente já rendeu bons cliques, apesar de um dos filmes ter dado problema rolou um Photoset bacana. Aproveito para agradecer o Eric pela atenção e pela aula sobre fuscas e a cultura hot rod e old school. Enjoy!

A conversa gerou bastante material, então eu decidi decupar as dicas em posts separados focando cada assunto e vou pondo no ar a medida que produzo.

Ficamos assim então, fiquem ligados, nos próximos posts vou listar dicas e idéias que consegui tirar da visita. Vamo que vamo!

E se quiser fazer uma visita e tirar suas dúvidas pessoal, segue o jabá: BadBug Garage, Rua Caio Graco, 216 na lapa, ou acesse o site da bad bug clicando aqui.

Bom, estou inaugurando uma nova área no “hit the road bug”, dedicada a artistas, ilustradores e designers bacanudos que colocam no papel (ou no photoshop) seus projetos, seja ilustrando sketchs, renderings ou temáticas old school como caveiras, zumbis, pin-ups, pin-ups zumbis (((: , hots, monstros, enfim, só alegria.

Pra começar a conversa tem um camarada chamado Dwayne Vance. Descobri esse cara buscando tutoriais sobre desenho de sketchs de carros e logo cheguei no link de um livro chamado “The Hot Rod Art Book: Masters of Chicken Scratch” que vem com um cd recheado de tutoriais, no livro além de Dwayne, tem a participação outros artistas, alguns vão passar por aqui também, encomendarei.

Definindo as ilustrações e concepts de Dwayne podemos certamente usar a palavra “velocidade”, não apenas pelo tema recorrente, mas pela percepção dinâmica das ilustrações que ainda traz uma riqueza de detalhes muito bacana.

O Rapaz já trabalhou com os grandes da industria automobilística, além de estúdios renomados de design e,  depois de acumular uma boa experiência, abriu a Future Elements Design trabalhando para grandes marcas atuando como designer gráfico e de produtos. É isso, de projeto para Hotwheels (ele atuou como designer senior na divisão dos carrinhos dentro da Mattel) até capacetes e materiais de proteção esse californiano já projetou, mas o que é fino mesmo são suas ilustrações e sketchs.

E pra provar que software não tem talento sozinho achei dois videozinhos de ilustrações dele feita num DS, com um aplicativo chamado chamado Colors, tipo um passo a passo. Sem palavras.

Na sequência uma série dos trabalhos dele e de quebra um pedaço de tutorial que vem com o livro, se você tem dúvidas de proporção e perspectiva elas acabarão.

Tutorialzinho bacanudo e um videoportifólio do rapaz.

Mais um bônus que achei do tutorial, com uma parte falando de como ele define as referências e os detalhes da ilustração.

E pra finalizar, um videozinho mostrando referênicias e trabalhos finalizados, fino.

Ufa, é isso aí, titio johnny tem várias novidades na caixola e pouco tempo para praticá-las, mas aos poucos vou cumprindo a meta de 1 post por semana, ao menos.

Desde sempre é a utopia a grande responsável pela evolução humana, imaginar coisas que são impossíveis, pelo menos no seu espaço tempo é a chave da inovação. Mas aqui não falaremos apenas de utopia, mas também de inocência junto com talento e ímpeto. Esses elementos definiram a vida de Preston Thomas Tucker e sua Tucker Corporation.

Num 1945 do pós-guerra que marcava a retomada da produção de automóveis para uso civil nos EUA, as grandes fábricas de material bélico do país dariam lugar a indústrias automobilísticas, as grandes de Detroit, GM, Ford e Chrysler foram impedidas por Franklin Roosevelt de comprar essas instalações para evitar a formação de monopólio, o que obviamente foi recebido com protestos pelas corporações. Uma dessas instalações, uma fábrica de aviões montada pela Chrysler em Illinois foi comprada por Preston Tucker, sua idéia era produzir um carro totalmente diferente e inovador tomando pro base toda a evolução técnica e tecnológica surgida no período da produção bélica. Engenheiro brilhante ele tinha uma visão particular de inovação, e ela estava ligada a segurança, à economia e ao conforto, à estabilidade aliada a um design aerodinâmico. Seu projeto se chamaria Tucker Torpedo, ou Tucker 48.

Entre as inovações propostas por Tucker estavam:
- Freio a disco nas quatro rodas;
- suspensão independente;
- motor de helicóptero de 150cv a ar traseiro em alumínio;
- 6 cilindros com injeção mecânicade de gasolina;
- faróis direcionais comandados pelo volante;

Os ítens segurança são o destaque:
- cintos de segurança de série;
- interior acolchoado (uma espécie conceito rudimentar das capsulas de sobrevivência dos carros atuais);
- para-brisas que se desprendiam para fora do carro em caso de colisão; – maçanetas internas embutida no corpo da porta;
- materiais leves como plástico flexível para minimizar danos aos passageiros em caso de colisão, entre outras.

É claro que uma proposta tão inovadora causou desconforto entre as grandes de Detroit, que já amargavam um descontentamento com a situação, e agora teriam que repensar sua frota ($$$$$$$) caso o projeto de Tucker fosse bem sucedido. Então, munidos de desprezo e falta de caráter utilizaram todos os artifícios sórdidos tão recorrente desse meio. Através de imprensa comprada e juizes e políticos corrompidos aniquilaram a imagem de Thomas Tucker numa enxurrada de demandas judiciais e matéria pretensamente delatórias, de tabela afundaram a Tucker Corporation pelo descrédito causado. No fim, restaram apenas 51 unidades do Tucker 48 “Torpedo” feitas a mão, uma está aqui nas terras do Zé carioca.

É aquela velha história, a justiça, a imprensa, política e grandes corporações não podem andar juntas, isso cria um ambiente altamente permissíveis e corrupto. A história de Preston Tucker nos dá exemplo de como corporações destroem a iniciativas que pensam no “bem maior”, no conceito absoluto do que é “novo”. São os fundamentos do capitalismo trabalhando numa época selvagem e predatória da economia mundial.

Essa história é contada no filme “Tucker, um homem e seu sonho”, de 1988, numa cinebiografia filmada por Coppola com produção de George Lucas, que infelizmente ainda não consegui assistir novamente para fazer um novo post de “roadmovie”, providenciarei.

Introdução dada, vamos entender onde essa história resvala na evolução automotiva do país. Com o final dos processos jurídicos nos EUA e declarada sua inocência, Tucker vê frustrada a sua empresa de criar um carro inovador nos EUA, porém seu ímpeto e sua iniciativa criativa ainda tem força suficiente para pensar em novos empreendimentos.

Fumante convicto, Tucker foi diagnosticado com cancêr de pulmão, desenganado pelos médicos, desembarcou nas terras tupiniquins atrás de fórmulas naturais para combater a doença, aqui vislumbrou uma indústria automobilística imberbe e um entusiasmo industrial crescente num país que ansiava pela evolução, pelos “50 anos em 5″ de JK. Histórias desencontradas dão conta de encontros com empresários e políticos para viabilizar a empreita de Tucker que era nada menos que um automóvel baseado nas idéias de seu Tucker Torpedo, mas desenvolvido nos conceitos da realidade brasileira da época, um carro pequeno e econômico de quatro lugares, mas com um apelo esportivo, com todas as inovações e conceitos sobre segurança já desenvolvidos e testados por Tucker, Era o Tucker Carioca.

Os materiais escassos e a informação desencontrada transformaram esse projeto em uma lenda automobilística, isso porque Tucker morreu em 1956, no início do desenvolvimento do Carioca e o projeto foi descontinuado. Na verdade não se sabe bem até que ponto ele foi desenvolvido, nem se o financiamento estatal realmente exisitia.

A verdade é que a indústria automobilística nacional teria outra linha de desenvolvimento caso tivessemos o Tucker Carioca. Imagine na década de 50 ter um carro com inovações tecnológicas avançadas numa indústria em construção, talvez teríamos Renaults, Peugeots e Fiats brasileiros, talvez fossemos hoje exportadores de tecnologia e não apenas consumidores mudos. Todos os conceitos de tucker no decorrer do século XX foram se tornando indispensáveis para os consumidores e indústria. Algumas idéias, como a dos faróis direcionais estão começando aparecer em carros como mercedes e os top de linha da Citroen, outras foram incorporadas nos carros modernos e hoje são a realidade vigente. Mas é isso, os bons morrem cedo.


Inspira… Respira…

É fato que o fusca é um carro feito pra usar. Rústico, simples e forte, disso ninguém duvida.

O seu motorzinho refrigerado a ar é um dos grandes responsáveis por toda essa resistência, e equipou por décadas toda uma família de carros da montadora alemã.

Outra verdade irrefutável é que a década de 70 eram foram os anos loucos e o senso de segurança era outro, não se tinha sinto de segurança, freios abs ou air bags e sendo assim o negócio era juntar com a galera pra dar umas voltas no autódromo de Nurburgring na Alemanha com seus Air cooleds e afins a toda velocidade no melhor estilo “para o alto e avante”, sem medo de dar merda. O vídeo abaixo ta aí pra provar isso. A câmera filma apenas uma curva e registra todo tipo de insanidade. Começa leve com alguns fusquinhas derrapando, outros modelos vw perdendo o controle, até que um modelo bem parecido com a nossa TL ou Karmman ghia TC capota feio, mas não tem mimimi não, entra uma galera e desvira o carro, para liberar a pista. Daí pra frente é um Deus nos acuda de derrapadas, capotadas e sandices em geral.

Segue a decupagem do TOP 6:

1 – 1′:08″ – Fusca vermelho/laranja, capota, e para em “pé”, repare no vidro do passageiro sendo quebrado na parada, obviamente com a cabeça do próprio. Essa deve ter doído.

2 – 1′:24″ – Variant faz a curva em 2 rodas e a galera vibra!!

3 – 1′:50″ – E lá vem ele, munido de muita coragem e idiotice, seu fusca, a pista, a curva, um momento único, o acelerador no talo e o carro fica em duas rodas à direita, joga pra esquerda e… opa, cadê meu carro? Ah! tá aqui.

4 – 2′37″ – O que acredito ser uma BMW capota feio, e logo chega a cavalaria, afinal pista parada não tem graça.

5 – 3′01″ – La vem ele, o fusquinha vermelho, lento, pneus “palito”, vira, e o próprio “piloto” desvira a máquina.

6 – 3′ 22″ – Com destaque para o fusca conversível que pula em duas rodas, sai da pista, quase capota. Penso no motorista falando pra namorada: “Que isso querida, não tem perigo não, chama tua irmã e o namorado.”

Ahhh, os anos setenta, amor livre, hippies, punks, e uns malucos capotando por pura diversão. Aqueles anos loucos.

Texas, sul dos EUA, lar dos mais fervorosos rednecks, da música country, representantes de uma nação bélica, religiosa e contraditória, americanos protestantes ortodoxos, os mais puros.

Nesse ambiente cresceram Caleb, Jared e Nathan, os 3 irmãos Followill, filhos de uma família de religiosos. O pai era um pastor que vivia viajando para pregar nas igrejas do chamado “Cinturão da Bíblia“, a criação era rígida e sem previlégios, exceto nos momentos em que os primos se juntavam para tocar música gospel nas igrejas da região.

Em 1998, se fixaram em Nashville, Tennesee, os muleques já crescidos, pensou o Pastor Leon Senior, tá na hora de liberar essa galera. Eles ganharam uma liberdade até então desconhecida. Já era de se esperar que, com todo esse histórico a liberdade iria virar sexo, drogas e uma banda de rock´n´roll. Os irmãos chamaram seu primo, Mathew para a guitarra e formaram o Kings Of Leon.

Depois da história triste dos rapazotes, veio a bonança. No primeiro cd, “Youth and Young Manhood”(2003) , os barbudos protestantes sulistas apresentaram um som singular e vigoroso, foi a grande promessa do rock’n'rol daquele ano, mas independente desses rótulos jornalísticos a banda se destaca pelo suas influências interioranas, o folk e o country triturados numa batedeira experimental com um rock de guitarras garageiras, linhas de baixo que fogem do lugar comum e um cantar abafado de Caleb sem querer mais salvar almas, amores confusos, putas, vingança, sexo, morte, traições, e a tal liberdade anseada são baforadas no microfone com aquele sotaque sulista quase inintelível. “Red Morning Light” apresenta o KoL com uma guitarra aberta e vigorosa, depois disso, é uma surpresa atrás da outra, destaques para o hit “Molly´s chambers”, e a poderosa “Spiral Starcase” com sua cozinha sincopada.

No segundo petardo, “Aha Shake Heartbreak” de 2005, eles mantém a fórmula do primeiro, com uma boa carga experimental nos arranjos, mas secos e diretos. Ouça com atenção “Slow Night So Long”, as excelentes levadas de “The Bucket” , “Razz” e “Four kicks”.

Em 2006 eles tocaram aqui em SP no Tim Festival, fui pra ver os caras, show competente e pesado, sem muito mimimi, foi bom pacas.

Estes dois primeiros discos mostram um rock bruto, direto. Viajem longa? ouça os dois na sequência, irretocáveis.

Já o dois últimos já não trazem essa pegada, infelizmente o diabo que dá é o mesmo que toma e em 2007 lançaram “Because Of The Times”, um novo direcionamento no som dos caras, mais limpo (até em aparência, barba feita, cabelos cortados, enfim) e mais leve, ainda com algumas pegadas dos primeiros discos. Sobrevivem a gritada “Charm”, “Black Thumbnail” que também tem uma boa pegada e “My Party” fecham a parte mais interessante desde petardo. O resto do disco já não serve muito aos nossos interesses, e dão o tom de “Only By The Night”, seu último lançamento, um disco quase pop, quase equivocado, muita interferência de produção que tirou o som seco e direto, a voz abafada de Caleb agora é cristalina, e quase tudo que antes era inovador e experimental soa meio bobo, então ele só está aqui para eu não indicar.

É isso aí, viver em pecado tem dessas coisas.

Nestas buscas infindáveis pela internet, vez ou outra a gente se depara com alguns carros interessantes, com designers que trazem aquele componente inovador dentro de uma proposta diferente em cima de um projeto que poderia muito bem ficar lugar comum. Foi isso que aconteceu quando me deparei com esse projeto da POSIES Rods and Customs, que fica em Hummelstown, Pensilvânia. As criações da Posies estão entre as mais bem acabadas que já encontrei por aí e sempre tem uma preocupação de detalhes de design e soluções não convencionais, seus projetos são sinônimos de inovação dentro do mercado americano, competitivo e desenvolvido, mas cheio de regras.

No caso desse Chevy Fleetliner Sedan 1947, o que chama a atenção é a agressividade, a inspiração é claramente tirada dos Ratrods, com uma pintura fosca e acabamento sem os cromados, a construção do carro segue uma linha definida, num design consiso que dá harmonia ao projeto.

O carro foi construído para ser apresentado no SEMA show de 2006 e ao buscar mais informações sobre o bólido achei o projeto mais interessante ainda. Posies foi contra as normas e criou um carro com inspiração hotrod mais sob suas próprias regras. Ele não se encaixa nas classificações, não é um roadster, nem um coupé, seu motor não é um V8, é um Roush 6 cilindros em linha, seu “shape” é baixo e alongado, seu corpo é estreito e rebaixado, suas rodas são inspiradas nos velhos caminhões de entrega de leite. O interior é simples, com o mínimo necessário, mas confortável com destaque para o padrão xadrez do revestimento interno. Como qualquer carro feito pra dirigir rápido, os itens de segurança tiveram atenção especial, incluindo chassis e suspensão especiais. Com pintura fosca, rebites aparentes, sem paralamas, talvez o parabrisa bi-partido seja essencialmente a única marca do carro de origem.

Segundo seu criador, foi um carro feito pela diversão e pelo prazer, e não para elogios, apesar deles não faltarem. A meu ver é assim que se deve fazer as coisas.

Ao fugir das convenções a Posies mostra criações inovadoras que acabam se tornando referência, essa é a visão de um cara que não tem que provar nada pra ninguém, afinal, regras estão aí para serem quebradas e ele faz isso desde 1964. Confira sua galeria no HubGarage, e me diga se estou errado.

A partir deste post vou começar a falar sobre filmes que por um motivo ou outro traz assuntos como carros, viagens, referências old school, enfim, não vou colocar muitas regras para definir como esses filmes irão parar aqui. Talvez a razão seja óbvia, talvez não, mas daí eu explico.

Para começar essa nova sessão escolhi o “Rejeitados pelo Diabo”, pela estrutura de road movie e pelo seu diretor.


Foco nos personagens bizarros, heróis de um mundo politicamente incorreto, onde a violência é a diversão. Capitão Spaulding, um palhaço sujo com dentes podres e sua família de desajustados e párias psicopatas assassinos: Baby, uma garota sedutora, com cara de anjo mas uma personalidade sádica, seu irmão messiânico, Otis de cabelos grandes e barba grudenta são os personagens principais dessa espécie road movie B dirigido por ninguém menos que Rob Zombie.

Vamos falar um pouco sobre esse rapaz: Nos quase longínquos anos 90, em meio a grunges, neo hippies, neo punks, e outros neos, apareceu uma banda ímpar, o White Zombie. Porque ímpar? Porque seu som era embasado em sua estética. Ok, até aí nenhuma novidade certo? Errado, a estética em questão era uma mistura de Filmes B do Zé do Caixão, Ed Wood, fantasias de monstros mal feitas, Ed “BigDaddy” Roth, zumbis obviamente e…  carros dos anos 50, muscle cars, hotrods, pin-ups, etc. misturados a guitarras poderosissimas soando como um Sly & Family Stone do mundo bizarro.  E qual era a cabeça que estava recheada dessas sandices e capitaneava a banda? Rob Zombie.

Essa é pra lembrar.

A Gloriosa Década de noventa acabou, assim como o White Zombie, e agora? O que o nosso pequeno Robbie poderia fazer???

Seguir carreira solo, o que mais? E foi isso que ele fez, mas, espere, não é só isso, Rob Zombie é meio multi artista, além da banda ele também ilustra (sua inspiração é escancaradamente o RatFink.), é desses caras que compram seu ideal, então para ele, nada mais natural do que filmar seu próprio filme B. O nome do filme faz juz a referência: “A casa dos 1000 corpos”. Lançado em 2003, não recebeu boas críticas (principalmente pela continuidade, que faz a história parecer sem pé nem cabeça, e ela realmente o é.) mas chegou a alcançar um status de “cult”, talvez pela sanguera gore e por ter Rob Zombie atrás das máquinas, em 2005 fez o nosso filme roadmovie do inferno, “Rejeitados pelo Diabo”, uma continuação do primeiro, mas com foco e inspiração diferentes, ele foi bem melhor recebido tanto que depois disso foi só alegria para o barbudo e agora diretor de cinema de verdade, filmou o remake do “Helloween” contando a origem da sede de sangue do Psico Michael Myers, está refilmando o clássico B de terror “A bolha assassina” e prepara para 2011 outro filme chamado “Tyrannosaurus Rex”.

Bom, depois dessa longa apresentação de credenciais, voltemos ao filme. Como já disse ele é a continuação da “Casa dos Mil Corpos”, mas bem mais centrado, apesar de ainda seguir a estética  filme B sanguinolento, não é tão gore quanto o anterior. Ele mostra a fuga da família Firefly, três psicos assassinos responsáveis por várias mortes do filme anterior, conhecidos como os “Devil´s Rejected”. Na incontável lista de assassinatos está o irmão de um xerife de uma cidade no Texas, que nesse filme caça os Firefly pelas estradas vazias dos Estados Unidos, meio aquela parte que eles roubaram do méxico, deserto e árido, sobe o sol escaldante em busca de vingança. A essa altura, você já percebeu que o filme é barra pesada, então, se você não está disposto a ver violência gratuita, litros de sangue, humor azul de tão negro, situações perturbadoras e bizarrices em geral, esse filme não é pra você.

Rob Zombie tem uma tendência clássica de torcer pelo bandido, o que já acontecia no “Casa dos 1000 corpos”, transformando toda a matança promovida pela família Firefly numa espécia de confirmação do espírito livre fora-da-lei e retratando os personagens com carinho (pelo menos entre eles) por mais estranho que possa parecer, mostrando uma unidade familiar em meio a fugas, tiros, sangue e sadismos. Os diálogos tem um que de Tarantino, mas de leve, não chega a ser memorável  mas tem seus bons momentos, como a do Capitão Spaulding solicitando/roubando o carro da dona de casa para um “Top secret clown bussiness”.


Com certeza o filme mostrou uma evolução de Rob Zombie na direção, tanto que sua carreira deslanchou depois dele.

A fita vale a pena pela referência e pela ótima atuação de Sig Raig na figura bizarra do Capitão Spaulding, e claro pela bela esposa de Rob, Mary Moon Zombie, tão lindinha e tão sádica psicopata, é um contraponto interessante.

Uma galeria como de praxe.

Capetinhas Pinups dançando can-can no Saloon do inferno, jogos de azar, bêbados, ladrões, assassinos, toda corja sangue ruim de foras-da-lei politicamente incorretos, almas vendidas a demônios, má educação, gangues de hippies psicopatas e rednecks loucos recheando histórias de terror e violência, e claro, carros envenenados, fugas alucinadas e paixões destrutivas. A trilha sonora pra esse mundo de minorias e páreas é o encontro de johnny Cash com o Lemmy do Motorhead no mesmo palco do inferno, mas também podemos chamar de Matanza e seu countrycore.

A idéia dessa mistura não é nova, afinal o rock surgiu no country, e tem outros irmãos, como o blues, o Folk , o Bluegrass, entre outros, mas no molho do Matanza ainda tem espaço para o punkrock, hardcore, metal, grind. É o feio, o sujo e o mal, é música combustível e pesada, cantada com ímpeto em alto e bom português, mal educado e mal encarado, mas de coração bom, tudo é uma questão de postura, afinal é preciso ter coragem para manter essas influências sendo uma banda carioca, mais acostumados a seus funks e sambas.

A relação da banda com o universo dos carros vai além das músicas, Jimmy, o ruivo vocalista, empresta sua carranca mal encarada a MTV, apresentando a versão nacional do programa Pimp my Ride que já teve duas temporadas patrocinadas pela VW. Em uma delas até produziu um Volksrod bacanudo usando o tema “palhaço”.

Voltando a Banda, fora a demo “Terror e Dashville” de 98, eles já contabilizam cinco discos lançados. Os singelos “Santa Madre Cassino” de 2001, “Música para Beber e Brigar” de 2003, uma homenagem a uma de suas maiores influências o “To Hell With Johnny Cash” de 2005, com versões de suas músicas do início de carreira (1955 a 1958), “A Arte do Insulto” lançado em 2006, com os petardos musicais “Clube dos Canalhas” e “Tempo Ruim”. Em 2008 eles lançaram uma coletânia ao vivo em CD e DVD, gravado no templo punkrock de São Paulo, o Hangar 110 sob assinatura da franquia “MTV Apresenta: Matanza”.

É isso Caveiras velhas, é som independente, “do it yourself”, vá ao show, compre o CD e ouça atrás de um volante, e pense que este poderia ser o som ambiente do elevador pro inferno.

A… essas músicas cheias de mensagens positivas.

Dia 04 de abril passado os camaradas da Escuderia Bad Bug inauguraram a nova sede e oficina.

Sei, sei, to meio atrasado, mas isso não importa muito, afinal o blog não existia ainda naquela época.

Nem vou falar muito sobre a Bad Bug por que estou preparando uma matériazinha com os caras, por enquanto só precisam saber que quando vi o primeiro Ratwagen construído por eles é que toda essa história de projetar um Volksrod ganhou força, é claro que já tinha o fusca no sangue, mas aquele carro deu outra visão para o projeto.

Enquanto a matéria não fica pronta, aí vão algumas fotos do dia da inauguração, só um aperitivo.

That´s all, folks… por enquanto.