No final dos 80, eu andava com um skate debaixo dos pés pra cima e pra baixo… morava em Goiânia, entre um salto e outro, chegavam os amigos, não raro, em nossas conversas, aparecia na roda alguma revista gringa de skate, atentem que em 89 era bem difícil se ver coisas importadas por aqui, bom… pelo menos em Goiânia.

Essas revistas mostravam o skate como um estilo de vida, então as páginas traziam matérias que iam além do carrinho, falavam de tudo que influenciava essa galera, e é claro que o que mais rolava eram as bandas que estouravam por lá, e nós aqui da terrinha tinhamos pouquíssimo acesso a elas, a cultura do mp3, ipods e o acesso ilimitado a downloads mil nem passava pelas nossas cabeças oitentistas. Ficavamos só babando, sedentos até que uma boa alma descolasse um disco dessas bandas gringas para podermos gravar em nossas k-7’s.  Prong, Danzig, Onix, Bad Brains, figuravam nas páginas, mas uma banda em especial me chamava a atenção naquela época, divulgando seu mais recente disco. Ainda tenho nítida na memória o anúncio em folha dupla na revista Trasher, era o lançamento do disco do Social Distortion (uma banda com esse nome não pode ser ruim, pensava eu). Fui conseguir ouvir o som da banda alguns anos mais tarde, e de cara veio a sensação de que valeu a pena esperar tanto tempo. Hoje tenho todos os discos devidamente digitalizados e vez ou outra me inverno ouvindo-os por semanas.

A Banda é californiana, formada em 78, e entre idas e vindas, mortes e rehabs, o fundador e líder Mike Ness (o único integrante da formação original),  ainda tem a mesma pegada punk, simples e rápida, falando direto e sem rodeios das decepções da vida, de um submundo escapista, dos que vivem a margem, onde as referências da juventude justificam as atitudes adultas, é a boa e velha falta de esperança “No Future”. O nome da banda é ideal para seus temas, a hipocrisia, os manipuladores, e a  juventude perdida americana. Músicas como “Mommys Little Monster”, “Don’t Drag Me Down” , “Story Of My Life” entre tantas outras resumem muito bem o mundo de Mike Ness. Junto com nomes como Dead Kennedys e Bad Religion o SD foi umas das bandas de frente que mantiveram o punk rock vivo nos anos 80 e influenciaram meio mundo de bandas dos 90.

São seis discos lançados, mais um ao vivo e outros greatest hits. Na década de 80 chegou “Mommy’s Little Monster” mais especificamente 83, apresenta as credenciais da banda, vigoroso e direto, é o punk rock como deve ser,  depois de se separarem em 85 para um rehab de Mike Ness, em 88 veio “Prison Bound”, com quase todas as músicas citando uma prisão, imaginária ou real, dilemas morais, um mundo fora da lei, viva rápido, morra jovem, numa pegada meio faroeste, como a faixa título, um southern rock punk moldando o perfil da banda e preparando para o próximo petardo auditivo, o disco homônimo “Social Distortion” que em 1990 saia do forno trazendo “Story Of My Life” e “Ring of Fire” como destaque e expondo as influências da banda, de Stones ao country-blues  misturados no molho do velho e sujo Punk Rock como em “It Coulda Be Me” e “Drug Train”. Dois anos depois chegava “Somewhere Between Heaven And Hell”, um disco palatável, mas fiel aos preceitos da distorção da sociedade, com uma sucessão de ótimas músicas, “Cold Fellings” e ” Bad Luck” introduzem o disco, e daí pra frente é só a felicidade de uma estrada vazia e um pé no acelerador.  “Bye Bye Baby” e “King Of Fools” estão entre as minhas preferidas. Em 1996, “White Light, White Heat, White Trash” traz um SD maduro, o som seguro e pesado na medida certa, mantém suas origens e mostra que a banda descobriu a receita de fazer um disco excelente do começo ao fim. Ouça com atenção e satisfação as “Dear Love”, “Don’t Drag Me Down”, “Down Here (W/the Rest Of Us)”, que estão em sequência. Em 98 gravaram ao vivo no “Live At The Roxy” repassando 20 anos de banda. Depois de um período de silêncio, em 2004 chega seu último lançamento “Sex, Love and Rock’n’roll”, um disco que eu poderia chamar de nostálgico, sentimental e romântico no sentido literário, montado em lembranças, e por isso mesmo excelente. Um disco-análise, quem sabe? A saudade da juventude e resposta à “Story Of My Life” de 1990. Esse disco mostra que as coisas envelhecem mas permanecem lúcidas o suficiente para não se arrependerem mas não errarem novamente. Para cada música uma memória, ouça “Don´t Take Me For Granted”, “Nickels And Dimes”, “I wasn´t born to follow”, “Winners and losers” e “Angel´s wings”.

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Depois desse post altamente sentimental só me resta por minha velha jaqueta de couro preta, meu coturno batido e ir ao show da Turnê Latino-americana da Banda, meu ingresso tá garantido, mas já passo o serviço:

Show: Social Distortion

17 de abril –  São Paulo – Via Funchal
18 de abril – Curitiba – Curitiba Master Hall
20 de abril – Porto Alegre – Centro de Eventos Casa do Gaúcho

Hit the punk rock, amiguinhos!

Asta.

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Já que fiquei um mês e tanto sem postar, fiz uma promoção pague uma e leve duas, terminando a série de posts sobre dicas de projeto para a customização do fusca em um volks rod.

Agora é a parte dolorosa.

Essa estimativa é, como acabei de escrever, apenas uma estimativa, quase um chute. É apenas uma idéia analisando alguns caminhos que o projeto pode seguir.

Senão, vejamos os preços aproximados:

Câmbio 4 marchas – de 1.000 a 1.500 hells;
câmbio 5 marchas – de 2.000 a 2.500 hells;
rodas Gringas – de 3.500 a 4.000 hells;
transformação de Berço – 4.000 hells;
ignição eletrônica – de 200,00 a 350,00 hells;
freio a disco nas quatro rodas – de 600,00 a 900,00 hells.

No caso do motor é tudo muito relativo, depende do que se pretende, você pode construir um bom motor com aquele mecânico do teu pai que citei no post anterior, mas o quanto gastar sempre vai depender das pexinchas que poderá conseguir vida afora. Na conversa com Eric ele me contou de uma estimativa que eles fizeram meio que de brincadeira pensando num motor 1900 feito pela Pro One, por alto deu inalcansáveis 40.000 hells, mas se tens bala na agulha e quer um motor desses poderá fazê-lo, sempre depende do projeto.

No projeto Volks Rod penso em um carro confortável e seguro, numa linha mais Custom e menos RatRod, então terei que levar em conta também um bom trabalho na parte interna do carro, talvez use os bancos do Ford Ka, que cabe perfeitamente no Fusca e um banco traseiro original, porém mais novo. Para o motor imagino que um 1.6 com ignição eletrônica a álcool e alguma mexidinha aqui e ali servirá bem, guardarei a agressividade e estilo para o design exterior do carro. Nas minhas contas devo gastar aproximadamente 25.000,00 hells nessa brincadeira para ter um carro exclusivo.

Agora se o intuito é ter um Rat, com mais ou menos 10.000,00 hells você tem um carro bacana pra sair esbanjando estilo asfalto afora.

Documentação

Temos alguns problemas nesse quesito, no Brasil não existe uma categoria onde se encaixe um HotRod, mas existe outras opções, podemos enquadrá-los como veículo especial, veículo artesanal e protótipo. Fora isso é preciso fazer uma vistoria do inmetro atestando a segurança do carro.

Também não existe uma legislação específica que facilite a documentação do carro. Junte isso à uma burocracia absurda tão recorrente nas esferas públicas e temos uma ambiente perfeito para os métodos escusos proliferarem, aquele tal “jeitinho”, que no fundo não é bom pra ninguém.

Então é preciso ter paciência e disposição para conseguir esses documentos, além de um desembolso considerável de 3.000,00 a 3.500,00 e um tempo de 2 a 3 semanas (métodos escusos) ou até 2 anos (vias normais).

É isso pessoal, vou fazer agora uma revisão para na tarefa de casa os amiguinhos colocarem as idéias no prumo:

– 3.000,00 não fazem um hotrod;
– carro matriz não é um monte de ferrugem pendurada num chassi;
– coerência e projeto são as coisas mais importantes;
– suspensão traseira é IRS;
– olho no orçamento, mas tudo vai depender de suas pexinchas e andanças, é sempre bom entender o que procura;
– mudanças no meio do projeto podem inviabilizar a construção;
– segurança é fundamental, para você e para os outros, portanto atenção em todos as fases do projeto;
– documentção é simples mas complicam, um pouco de cara de pau e outlaw ajudam a resolver o problema.

Com paciência e critério você pode conseguir andar por aí com belezinhas como essas:


E…. é saideira e a conta.

Bom camaradinhas, depois de um mês um tanto atribulado vamos seguindo com as dicas da Bad Bug Garage, vamos falar de projeto.

Uma das partes mais importantes na customização é o projeto, porque ele define as diretrizes e permite o planejamento e a solução de problemas antes que eles efetivamente existam, além de ser muito útil no controle de gastos, assunto que precisa ter uma atenção especial num projeto como esse.

Portanto, pesquise, converse com quem já fez, peça dicas, busque referências e entenda o que você quer construir.

Se você decide montar um Volksrod é porque já foi picado pela mosquito ferrugem, é emocional, e tudo que é emocional gera ansiedade e uma pressa de ver pronto, isso pode fazer com que se ignore fases em favor de dois ou três dias, e no final, o projeto não fica do jeito que você queria e a ansiedade vira frustração.

É aquele negócio, é difícil mas o controle é importante. Então rapaziada, é preciso sim pensar em design (externo e interno), cronograma, fases de construção, profissionais envolvidos, gastos com peças, tempo para se ter essa peça (no caso das importadas), enfim, tudo o que puder ser pensado previamente tem que estar aqui. Depois de definir a estrutura do projeto vem a segunda parte: segui-lo.

Segundo Eric, em muitas customizações que fez, o cliente tem uma coisa em mente, o trabalho começa e no meio do processo aparece outra idéia para o desenho da lataria, por exemplo. Se a fase da lataria já passou, e o teto foi rebaixado, cortado, modificado, na maioria das vezes a mudança não tem como ser implementada. E, se por acaso a mudança puder ser feita, isso reflete diretamente no custo final, afinal, é mais trabalho a ser feito, ou, refeito no caso.

Então macacada, os projetos devem ser bem desenhados, pensados, e não devem ser alterados no meio do processo, tomando esses cuidados, a oficina da Bad Bug consegue entregar um projeto do começo ao fim, com aproximadamente 6 meses de trabalho. Mas também existe a possibilidade de fazer a parte mecânica pela própria conta, sempre levando em consideração que é preciso um mecânico de confiança. A dica é achar aquele mecânico que cuidava da Belina 80 do teu pai, lá no bairro que ele mora a 30 anos, esses já cuidaram de todos os motores de fusca que sairam desde a década de 50, com certeza.

Eric diz que a intenção da Bad Bug é sempre trabalhar com atenção para a segurança, buscando profissionais de confiança, que garantam a seriedade do projeto resultando num excelente produto final. Afinal, é assim que tem que ser, não?

Depois de um hiato forçado, dou continuidade no post da visita à BadBug Garage.

Dica 02 – SUSPENSÃO, FREIOS E CÂMBIO

Uma grande dica que tirei do Eric foi o uso da suspensão traseira da VariantII brasileira ou da Kombi, isso porque a suspensão original do fusca é baseada num facão rígido, isso faz com que, ao rebaixar, as rodas se inclinem para dentro, é bastante comum vermos fuscas rebaixados com essa formatação nas rodas traseiras. O resultado é, além da desarmonia visual, o evidente desgaste do pneu e da própria suspensão.

A suspensão do tipo IRS ou Independent Rear Suspention, utilizada na Variant II e na Kombi não causa esse desequilíbrio, assim o desenho da suspensão deixa que pneus continuam retos. No aspecto visual as vantagens são óbvias, dando um resultado harmônico no conjunto traseiro. No técnico, melhores ainda, tendo reflexo direto na estabilidade do carro, deixando mais confortável de andar e guiar, portanto, mais seguro. Além disso, as rodas retas permitem um aproveitamento maior do espaço na traseira do carro possibilitando que, no projeto de design, este seja melhor aproveitado, o ideal é encontrar um conjunto de suspensão traseira IRS de Variant II ou Kombi, com jogo de câmbio, os freios a disco.

Anúncio de época da VariantII

Bom, daí pra frente temos um mar de opções de adaptação, afinal estamos trabalhando com um Fusca. Podemos optar por um câmbio de quatro marchas de SP2/Kombi ou até de cinco marchas, várias configurações de suspensão e outras tantas para freiar sua máquina. Dependendo, é claro, das idéias, disposição e da grana no bolso. Penso de início num de 5 marchas, pra manter a idéia de conforto ao dirigir, freio a disco e uma suspensão IRS não muito baixa, não quero socar o carro no chão.

No quesito “grana no bolso”, Eric dá outra dica: A EMPI Volkswagen Parts. Uma espécie de Mopar para VW’s, onde você econtra todo tipo de peça ou equipamento relacionados à montadora alemã, de kits de carburação a adereços internos e externos. O preço é outra história.

Chegou a hora de falar do meu “Projeto Volksrod”. Para tanto fiz uma visita a Bad Bug Garage, para tirar todas as minhas dúvidas sobre como construir um Volksrod. A conversa serviu preu decidir qual caminho seguir e como viabilizar o meu projeto, mas também serviu para trazer essas informações para o blog e compartilhá-las. Afinal, a informação é feita pra rodar.

A oficina de customização é a pioneira na idéia dos Volksrods aqui no Brasil, como já havia comentado, foi quando vi o fusca Harley Bug (uma das primeiras criação da oficina), que ficava parado perto da minha casa, em frente ao prédio onde morava Eric Martins, dono da Oficina e Escuderia daqui de São Paulo, que decidi levar a frente essa história de projetar um fusca Hotrod ou, o Volksrod. Entre idas e vindas acompanhei como espectador a evolução da idéia e da oficina, antes na Lapa, depois na Pompéia e agora em definitivo na Caio Graco, na Lapa novamente.

A Bad Bug Garage surgiu de um passatempo de amigos, e uma vontade “do it yourself”. Desde o primeiro fusca, preto fosco com rodas vermelhas, a evolução é clara, e as propostas cada vez mais ousadas, como um volksrod baseado no raro modelo Stoll Coupe que estava em fase de produção quando visitei a oficina e será um carro de exposição, e num projeto futuro, comentado por Eric, de um Fusca pickup com motor V-8, um “autêntico” hot rod. A criatividade é o limite e caracteriza o posicionamento da Escuderia.

Foram mais de 1 hora de papo começando ao som de Black Sabbath que tocava no rádio, e mais um tempo para uma sessão de fotos ao bom e velho estilo old School, usando uma camera russa, a Lomo e uma Pentax K1000 totalmente mecânica. Infelizmente não consegui pegar nenhum projeto em finalização, de qualquer forma o ambiente já rendeu bons cliques, apesar de um dos filmes ter dado problema rolou um Photoset bacana. Aproveito para agradecer o Eric pela atenção e pela aula sobre fuscas e a cultura hot rod e old school. Enjoy!

A conversa gerou bastante material, então eu decidi decupar as dicas em posts separados focando cada assunto e vou pondo no ar a medida que produzo.

Ficamos assim então, fiquem ligados, nos próximos posts vou listar dicas e idéias que consegui tirar da visita. Vamo que vamo!

E se quiser fazer uma visita e tirar suas dúvidas pessoal, segue o jabá: BadBug Garage, Rua Caio Graco, 216 na lapa, ou acesse o site da bad bug clicando aqui.

Bom, estou inaugurando uma nova área no “hit the road bug”, dedicada a artistas, ilustradores e designers bacanudos que colocam no papel (ou no photoshop) seus projetos, seja ilustrando sketchs, renderings ou temáticas old school como caveiras, zumbis, pin-ups, pin-ups zumbis (((: , hots, monstros, enfim, só alegria.

Pra começar a conversa tem um camarada chamado Dwayne Vance. Descobri esse cara buscando tutoriais sobre desenho de sketchs de carros e logo cheguei no link de um livro chamado “The Hot Rod Art Book: Masters of Chicken Scratch” que vem com um cd recheado de tutoriais, no livro além de Dwayne, tem a participação outros artistas, alguns vão passar por aqui também, encomendarei.

Definindo as ilustrações e concepts de Dwayne podemos certamente usar a palavra “velocidade”, não apenas pelo tema recorrente, mas pela percepção dinâmica das ilustrações que ainda traz uma riqueza de detalhes muito bacana.

O Rapaz já trabalhou com os grandes da industria automobilística, além de estúdios renomados de design e,  depois de acumular uma boa experiência, abriu a Future Elements Design trabalhando para grandes marcas atuando como designer gráfico e de produtos. É isso, de projeto para Hotwheels (ele atuou como designer senior na divisão dos carrinhos dentro da Mattel) até capacetes e materiais de proteção esse californiano já projetou, mas o que é fino mesmo são suas ilustrações e sketchs.

E pra provar que software não tem talento sozinho achei dois videozinhos de ilustrações dele feita num DS, com um aplicativo chamado chamado Colors, tipo um passo a passo. Sem palavras.

Na sequência uma série dos trabalhos dele e de quebra um pedaço de tutorial que vem com o livro, se você tem dúvidas de proporção e perspectiva elas acabarão.

Tutorialzinho bacanudo e um videoportifólio do rapaz.

Mais um bônus que achei do tutorial, com uma parte falando de como ele define as referências e os detalhes da ilustração.

E pra finalizar, um videozinho mostrando referênicias e trabalhos finalizados, fino.

Ufa, é isso aí, titio johnny tem várias novidades na caixola e pouco tempo para praticá-las, mas aos poucos vou cumprindo a meta de 1 post por semana, ao menos.

Desde sempre é a utopia a grande responsável pela evolução humana, imaginar coisas que são impossíveis, pelo menos no seu espaço tempo é a chave da inovação. Mas aqui não falaremos apenas de utopia, mas também de inocência junto com talento e ímpeto. Esses elementos definiram a vida de Preston Thomas Tucker e sua Tucker Corporation.

Num 1945 do pós-guerra que marcava a retomada da produção de automóveis para uso civil nos EUA, as grandes fábricas de material bélico do país dariam lugar a indústrias automobilísticas, as grandes de Detroit, GM, Ford e Chrysler foram impedidas por Franklin Roosevelt de comprar essas instalações para evitar a formação de monopólio, o que obviamente foi recebido com protestos pelas corporações. Uma dessas instalações, uma fábrica de aviões montada pela Chrysler em Illinois foi comprada por Preston Tucker, sua idéia era produzir um carro totalmente diferente e inovador tomando pro base toda a evolução técnica e tecnológica surgida no período da produção bélica. Engenheiro brilhante ele tinha uma visão particular de inovação, e ela estava ligada a segurança, à economia e ao conforto, à estabilidade aliada a um design aerodinâmico. Seu projeto se chamaria Tucker Torpedo, ou Tucker 48.

Entre as inovações propostas por Tucker estavam:
– Freio a disco nas quatro rodas;
– suspensão independente;
– motor de helicóptero de 150cv a ar traseiro em alumínio;
– 6 cilindros com injeção mecânicade de gasolina;
– faróis direcionais comandados pelo volante;

Os ítens segurança são o destaque:
– cintos de segurança de série;
– interior acolchoado (uma espécie conceito rudimentar das capsulas de sobrevivência dos carros atuais);
– para-brisas que se desprendiam para fora do carro em caso de colisão; – maçanetas internas embutida no corpo da porta;
– materiais leves como plástico flexível para minimizar danos aos passageiros em caso de colisão, entre outras.

É claro que uma proposta tão inovadora causou desconforto entre as grandes de Detroit, que já amargavam um descontentamento com a situação, e agora teriam que repensar sua frota ($$$$$$$) caso o projeto de Tucker fosse bem sucedido. Então, munidos de desprezo e falta de caráter utilizaram todos os artifícios sórdidos tão recorrente desse meio. Através de imprensa comprada e juizes e políticos corrompidos aniquilaram a imagem de Thomas Tucker numa enxurrada de demandas judiciais e matéria pretensamente delatórias, de tabela afundaram a Tucker Corporation pelo descrédito causado. No fim, restaram apenas 51 unidades do Tucker 48 “Torpedo” feitas a mão, uma está aqui nas terras do Zé carioca.

É aquela velha história, a justiça, a imprensa, política e grandes corporações não podem andar juntas, isso cria um ambiente altamente permissíveis e corrupto. A história de Preston Tucker nos dá exemplo de como corporações destroem a iniciativas que pensam no “bem maior”, no conceito absoluto do que é “novo”. São os fundamentos do capitalismo trabalhando numa época selvagem e predatória da economia mundial.

Essa história é contada no filme “Tucker, um homem e seu sonho”, de 1988, numa cinebiografia filmada por Coppola com produção de George Lucas, que infelizmente ainda não consegui assistir novamente para fazer um novo post de “roadmovie”, providenciarei.

Introdução dada, vamos entender onde essa história resvala na evolução automotiva do país. Com o final dos processos jurídicos nos EUA e declarada sua inocência, Tucker vê frustrada a sua empresa de criar um carro inovador nos EUA, porém seu ímpeto e sua iniciativa criativa ainda tem força suficiente para pensar em novos empreendimentos.

Fumante convicto, Tucker foi diagnosticado com cancêr de pulmão, desenganado pelos médicos, desembarcou nas terras tupiniquins atrás de fórmulas naturais para combater a doença, aqui vislumbrou uma indústria automobilística imberbe e um entusiasmo industrial crescente num país que ansiava pela evolução, pelos “50 anos em 5” de JK. Histórias desencontradas dão conta de encontros com empresários e políticos para viabilizar a empreita de Tucker que era nada menos que um automóvel baseado nas idéias de seu Tucker Torpedo, mas desenvolvido nos conceitos da realidade brasileira da época, um carro pequeno e econômico de quatro lugares, mas com um apelo esportivo, com todas as inovações e conceitos sobre segurança já desenvolvidos e testados por Tucker, Era o Tucker Carioca.

Os materiais escassos e a informação desencontrada transformaram esse projeto em uma lenda automobilística, isso porque Tucker morreu em 1956, no início do desenvolvimento do Carioca e o projeto foi descontinuado. Na verdade não se sabe bem até que ponto ele foi desenvolvido, nem se o financiamento estatal realmente exisitia.

A verdade é que a indústria automobilística nacional teria outra linha de desenvolvimento caso tivessemos o Tucker Carioca. Imagine na década de 50 ter um carro com inovações tecnológicas avançadas numa indústria em construção, talvez teríamos Renaults, Peugeots e Fiats brasileiros, talvez fossemos hoje exportadores de tecnologia e não apenas consumidores mudos. Todos os conceitos de tucker no decorrer do século XX foram se tornando indispensáveis para os consumidores e indústria. Algumas idéias, como a dos faróis direcionais estão começando aparecer em carros como mercedes e os top de linha da Citroen, outras foram incorporadas nos carros modernos e hoje são a realidade vigente. Mas é isso, os bons morrem cedo.


Inspira… Respira…

É fato que o fusca é um carro feito pra usar. Rústico, simples e forte, disso ninguém duvida.

O seu motorzinho refrigerado a ar é um dos grandes responsáveis por toda essa resistência, e equipou por décadas toda uma família de carros da montadora alemã.

Outra verdade irrefutável é que a década de 70 eram os anos loucos e o senso de segurança era outro, não se tinha cinto de segurança, freios abs ou air bags e sendo assim o negócio era juntar com a galera pra dar umas voltas no autódromo de Nurburgring na Alemanha com seus Air cooleds e afins a toda velocidade no melhor estilo “para o alto e avante”, sem medo de dar merda. O vídeo abaixo ta aí pra provar isso. A câmera filma apenas uma curva e registra todo tipo de insanidade. Começa leve com alguns fusquinhas derrapando, outros modelos vw perdendo o controle, até que um modelo bem parecido com a nossa TL ou Karmman ghia TC capota feio, mas não tem mimimi não, entra uma galera e desvira o carro, para liberar a pista. Daí pra frente é um Deus nos acuda de derrapadas, capotadas e sandices em geral.

Segue a decupagem do TOP 6:

1 – 1′:08″ – Fusca vermelho/laranja, capota, e para em “pé”, repare no vidro do passageiro sendo quebrado na parada, obviamente com a cabeça do próprio. Essa deve ter doído.

2 – 1′:24″ – Variant faz a curva em 2 rodas e a galera vibra!!

3 – 1′:50″ – E lá vem ele, munido de muita coragem e idiotice, seu fusca, a pista, a curva, um momento único, o acelerador no talo e o carro fica em duas rodas à direita, joga pra esquerda e… opa, cadê meu carro? Ah! tá aqui.

4 – 2’37” – O que acredito ser uma BMW capota feio, e logo chega a cavalaria, afinal pista parada não tem graça.

5 – 3’01” – La vem ele, o fusquinha vermelho, lento, pneus “palito”, vira, e o próprio “piloto” desvira a máquina.

6 – 3′ 22″ – Com destaque para o fusca conversível que pula em duas rodas, sai da pista, quase capota. Penso no motorista falando pra namorada: “Que isso querida, não tem perigo não, chama tua irmã e o namorado.”

Ahhh, os anos setenta, amor livre, hippies, punks, e uns malucos capotando por pura diversão. Aqueles anos loucos.

Texas, sul dos EUA, lar dos mais fervorosos rednecks, da música country, representantes de uma nação bélica, religiosa e contraditória, americanos protestantes ortodoxos, os mais puros.

Nesse ambiente cresceram Caleb, Jared e Nathan, os 3 irmãos Followill, filhos de uma família de religiosos. O pai era um pastor que vivia viajando para pregar nas igrejas do chamado “Cinturão da Bíblia“, a criação era rígida e sem previlégios, exceto nos momentos em que os primos se juntavam para tocar música gospel nas igrejas da região.

Em 1998, se fixaram em Nashville, Tennesee, os muleques já crescidos, pensou o Pastor Leon Senior, tá na hora de liberar essa galera. Eles ganharam uma liberdade até então desconhecida. Já era de se esperar que, com todo esse histórico a liberdade iria virar sexo, drogas e uma banda de rock´n´roll. Os irmãos chamaram seu primo, Mathew para a guitarra e formaram o Kings Of Leon.

Depois da história triste dos rapazotes, veio a bonança. No primeiro cd, “Youth and Young Manhood”(2003) , os barbudos protestantes sulistas apresentaram um som singular e vigoroso, foi a grande promessa do rock’n’rol daquele ano, mas independente desses rótulos jornalísticos a banda se destaca pelo suas influências interioranas, o folk e o country triturados numa batedeira experimental com um rock de guitarras garageiras, linhas de baixo que fogem do lugar comum e um cantar abafado de Caleb sem querer mais salvar almas, amores confusos, putas, vingança, sexo, morte, traições, e a tal liberdade anseada são baforadas no microfone com aquele sotaque sulista quase inintelível. “Red Morning Light” apresenta o KoL com uma guitarra aberta e vigorosa, depois disso, é uma surpresa atrás da outra, destaques para o hit “Molly´s chambers”, e a poderosa “Spiral Starcase” com sua cozinha sincopada.

No segundo petardo, “Aha Shake Heartbreak” de 2005, eles mantém a fórmula do primeiro, com uma boa carga experimental nos arranjos, mas secos e diretos. Ouça com atenção “Slow Night So Long”, as excelentes levadas de “The Bucket” , “Razz” e “Four kicks”.

Em 2006 eles tocaram aqui em SP no Tim Festival, fui pra ver os caras, show competente e pesado, sem muito mimimi, foi bom pacas.

Estes dois primeiros discos mostram um rock bruto, direto. Viajem longa? ouça os dois na sequência, irretocáveis.

Já o dois últimos já não trazem essa pegada, infelizmente o diabo que dá é o mesmo que toma e em 2007 lançaram “Because Of The Times”, um novo direcionamento no som dos caras, mais limpo (até em aparência, barba feita, cabelos cortados, enfim) e mais leve, ainda com algumas pegadas dos primeiros discos. Sobrevivem a gritada “Charm”, “Black Thumbnail” que também tem uma boa pegada e “My Party” fecham a parte mais interessante desde petardo. O resto do disco já não serve muito aos nossos interesses, e dão o tom de “Only By The Night”, seu último lançamento, um disco quase pop, quase equivocado, muita interferência de produção que tirou o som seco e direto, a voz abafada de Caleb agora é cristalina, e quase tudo que antes era inovador e experimental soa meio bobo, então ele só está aqui para eu não indicar.

É isso aí, viver em pecado tem dessas coisas.

Nestas buscas infindáveis pela internet, vez ou outra a gente se depara com alguns carros interessantes, com designers que trazem aquele componente inovador dentro de uma proposta diferente em cima de um projeto que poderia muito bem ficar lugar comum. Foi isso que aconteceu quando me deparei com esse projeto da POSIES Rods and Customs, que fica em Hummelstown, Pensilvânia. As criações da Posies estão entre as mais bem acabadas que já encontrei por aí e sempre tem uma preocupação de detalhes de design e soluções não convencionais, seus projetos são sinônimos de inovação dentro do mercado americano, competitivo e desenvolvido, mas cheio de regras.

No caso desse Chevy Fleetliner Sedan 1947, o que chama a atenção é a agressividade, a inspiração é claramente tirada dos Ratrods, com uma pintura fosca e acabamento sem os cromados, a construção do carro segue uma linha definida, num design consiso que dá harmonia ao projeto.

O carro foi construído para ser apresentado no SEMA show de 2006 e ao buscar mais informações sobre o bólido achei o projeto mais interessante ainda. Posies foi contra as normas e criou um carro com inspiração hotrod mais sob suas próprias regras. Ele não se encaixa nas classificações, não é um roadster, nem um coupé, seu motor não é um V8, é um Roush 6 cilindros em linha, seu “shape” é baixo e alongado, seu corpo é estreito e rebaixado, suas rodas são inspiradas nos velhos caminhões de entrega de leite. O interior é simples, com o mínimo necessário, mas confortável com destaque para o padrão xadrez do revestimento interno. Como qualquer carro feito pra dirigir rápido, os itens de segurança tiveram atenção especial, incluindo chassis e suspensão especiais. Com pintura fosca, rebites aparentes, sem paralamas, talvez o parabrisa bi-partido seja essencialmente a única marca do carro de origem.

Segundo seu criador, foi um carro feito pela diversão e pelo prazer, e não para elogios, apesar deles não faltarem. A meu ver é assim que se deve fazer as coisas.

Ao fugir das convenções a Posies mostra criações inovadoras que acabam se tornando referência, essa é a visão de um cara que não tem que provar nada pra ninguém, afinal, regras estão aí para serem quebradas e ele faz isso desde 1964. Confira sua galeria no HubGarage, e me diga se estou errado.