Hit the road music #04 – Kings of Leon

setembro 23, 2009

Texas, sul dos EUA, lar dos mais fervorosos rednecks, da música country, representantes de uma nação bélica, religiosa e contraditória, americanos protestantes ortodoxos, os mais puros.

Nesse ambiente cresceram Caleb, Jared e Nathan, os 3 irmãos Followill, filhos de uma família de religiosos. O pai era um pastor que vivia viajando para pregar nas igrejas do chamado “Cinturão da Bíblia“, a criação era rígida e sem previlégios, exceto nos momentos em que os primos se juntavam para tocar música gospel nas igrejas da região.

Em 1998, se fixaram em Nashville, Tennesee, os muleques já crescidos, pensou o Pastor Leon Senior, tá na hora de liberar essa galera. Eles ganharam uma liberdade até então desconhecida. Já era de se esperar que, com todo esse histórico a liberdade iria virar sexo, drogas e uma banda de rock´n´roll. Os irmãos chamaram seu primo, Mathew para a guitarra e formaram o Kings Of Leon.

Depois da história triste dos rapazotes, veio a bonança. No primeiro cd, “Youth and Young Manhood”(2003) , os barbudos protestantes sulistas apresentaram um som singular e vigoroso, foi a grande promessa do rock’n’rol daquele ano, mas independente desses rótulos jornalísticos a banda se destaca pelo suas influências interioranas, o folk e o country triturados numa batedeira experimental com um rock de guitarras garageiras, linhas de baixo que fogem do lugar comum e um cantar abafado de Caleb sem querer mais salvar almas, amores confusos, putas, vingança, sexo, morte, traições, e a tal liberdade anseada são baforadas no microfone com aquele sotaque sulista quase inintelível. “Red Morning Light” apresenta o KoL com uma guitarra aberta e vigorosa, depois disso, é uma surpresa atrás da outra, destaques para o hit “Molly´s chambers”, e a poderosa “Spiral Starcase” com sua cozinha sincopada.

No segundo petardo, “Aha Shake Heartbreak” de 2005, eles mantém a fórmula do primeiro, com uma boa carga experimental nos arranjos, mas secos e diretos. Ouça com atenção “Slow Night So Long”, as excelentes levadas de “The Bucket” , “Razz” e “Four kicks”.

Em 2006 eles tocaram aqui em SP no Tim Festival, fui pra ver os caras, show competente e pesado, sem muito mimimi, foi bom pacas.

Estes dois primeiros discos mostram um rock bruto, direto. Viajem longa? ouça os dois na sequência, irretocáveis.

Já o dois últimos já não trazem essa pegada, infelizmente o diabo que dá é o mesmo que toma e em 2007 lançaram “Because Of The Times”, um novo direcionamento no som dos caras, mais limpo (até em aparência, barba feita, cabelos cortados, enfim) e mais leve, ainda com algumas pegadas dos primeiros discos. Sobrevivem a gritada “Charm”, “Black Thumbnail” que também tem uma boa pegada e “My Party” fecham a parte mais interessante desde petardo. O resto do disco já não serve muito aos nossos interesses, e dão o tom de “Only By The Night”, seu último lançamento, um disco quase pop, quase equivocado, muita interferência de produção que tirou o som seco e direto, a voz abafada de Caleb agora é cristalina, e quase tudo que antes era inovador e experimental soa meio bobo, então ele só está aqui para eu não indicar.

É isso aí, viver em pecado tem dessas coisas.

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