Inspira #05 – Tucker Carioca e a utopia do pós guerra

outubro 15, 2009

Desde sempre é a utopia a grande responsável pela evolução humana, imaginar coisas que são impossíveis, pelo menos no seu espaço tempo é a chave da inovação. Mas aqui não falaremos apenas de utopia, mas também de inocência junto com talento e ímpeto. Esses elementos definiram a vida de Preston Thomas Tucker e sua Tucker Corporation.

Num 1945 do pós-guerra que marcava a retomada da produção de automóveis para uso civil nos EUA, as grandes fábricas de material bélico do país dariam lugar a indústrias automobilísticas, as grandes de Detroit, GM, Ford e Chrysler foram impedidas por Franklin Roosevelt de comprar essas instalações para evitar a formação de monopólio, o que obviamente foi recebido com protestos pelas corporações. Uma dessas instalações, uma fábrica de aviões montada pela Chrysler em Illinois foi comprada por Preston Tucker, sua idéia era produzir um carro totalmente diferente e inovador tomando pro base toda a evolução técnica e tecnológica surgida no período da produção bélica. Engenheiro brilhante ele tinha uma visão particular de inovação, e ela estava ligada a segurança, à economia e ao conforto, à estabilidade aliada a um design aerodinâmico. Seu projeto se chamaria Tucker Torpedo, ou Tucker 48.

Entre as inovações propostas por Tucker estavam:
– Freio a disco nas quatro rodas;
– suspensão independente;
– motor de helicóptero de 150cv a ar traseiro em alumínio;
– 6 cilindros com injeção mecânicade de gasolina;
– faróis direcionais comandados pelo volante;

Os ítens segurança são o destaque:
– cintos de segurança de série;
– interior acolchoado (uma espécie conceito rudimentar das capsulas de sobrevivência dos carros atuais);
– para-brisas que se desprendiam para fora do carro em caso de colisão; – maçanetas internas embutida no corpo da porta;
– materiais leves como plástico flexível para minimizar danos aos passageiros em caso de colisão, entre outras.

É claro que uma proposta tão inovadora causou desconforto entre as grandes de Detroit, que já amargavam um descontentamento com a situação, e agora teriam que repensar sua frota ($$$$$$$) caso o projeto de Tucker fosse bem sucedido. Então, munidos de desprezo e falta de caráter utilizaram todos os artifícios sórdidos tão recorrente desse meio. Através de imprensa comprada e juizes e políticos corrompidos aniquilaram a imagem de Thomas Tucker numa enxurrada de demandas judiciais e matéria pretensamente delatórias, de tabela afundaram a Tucker Corporation pelo descrédito causado. No fim, restaram apenas 51 unidades do Tucker 48 “Torpedo” feitas a mão, uma está aqui nas terras do Zé carioca.

É aquela velha história, a justiça, a imprensa, política e grandes corporações não podem andar juntas, isso cria um ambiente altamente permissíveis e corrupto. A história de Preston Tucker nos dá exemplo de como corporações destroem a iniciativas que pensam no “bem maior”, no conceito absoluto do que é “novo”. São os fundamentos do capitalismo trabalhando numa época selvagem e predatória da economia mundial.

Essa história é contada no filme “Tucker, um homem e seu sonho”, de 1988, numa cinebiografia filmada por Coppola com produção de George Lucas, que infelizmente ainda não consegui assistir novamente para fazer um novo post de “roadmovie”, providenciarei.

Introdução dada, vamos entender onde essa história resvala na evolução automotiva do país. Com o final dos processos jurídicos nos EUA e declarada sua inocência, Tucker vê frustrada a sua empresa de criar um carro inovador nos EUA, porém seu ímpeto e sua iniciativa criativa ainda tem força suficiente para pensar em novos empreendimentos.

Fumante convicto, Tucker foi diagnosticado com cancêr de pulmão, desenganado pelos médicos, desembarcou nas terras tupiniquins atrás de fórmulas naturais para combater a doença, aqui vislumbrou uma indústria automobilística imberbe e um entusiasmo industrial crescente num país que ansiava pela evolução, pelos “50 anos em 5” de JK. Histórias desencontradas dão conta de encontros com empresários e políticos para viabilizar a empreita de Tucker que era nada menos que um automóvel baseado nas idéias de seu Tucker Torpedo, mas desenvolvido nos conceitos da realidade brasileira da época, um carro pequeno e econômico de quatro lugares, mas com um apelo esportivo, com todas as inovações e conceitos sobre segurança já desenvolvidos e testados por Tucker, Era o Tucker Carioca.

Os materiais escassos e a informação desencontrada transformaram esse projeto em uma lenda automobilística, isso porque Tucker morreu em 1956, no início do desenvolvimento do Carioca e o projeto foi descontinuado. Na verdade não se sabe bem até que ponto ele foi desenvolvido, nem se o financiamento estatal realmente exisitia.

A verdade é que a indústria automobilística nacional teria outra linha de desenvolvimento caso tivessemos o Tucker Carioca. Imagine na década de 50 ter um carro com inovações tecnológicas avançadas numa indústria em construção, talvez teríamos Renaults, Peugeots e Fiats brasileiros, talvez fossemos hoje exportadores de tecnologia e não apenas consumidores mudos. Todos os conceitos de tucker no decorrer do século XX foram se tornando indispensáveis para os consumidores e indústria. Algumas idéias, como a dos faróis direcionais estão começando aparecer em carros como mercedes e os top de linha da Citroen, outras foram incorporadas nos carros modernos e hoje são a realidade vigente. Mas é isso, os bons morrem cedo.


Inspira… Respira…

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