Hit the road music #05 – A juventude marginal do Social Distortion

abril 8, 2010

No final dos 80, eu andava com um skate debaixo dos pés pra cima e pra baixo… morava em Goiânia, entre um salto e outro, chegavam os amigos, não raro, em nossas conversas, aparecia na roda alguma revista gringa de skate, atentem que em 89 era bem difícil se ver coisas importadas por aqui, bom… pelo menos em Goiânia.

Essas revistas mostravam o skate como um estilo de vida, então as páginas traziam matérias que iam além do carrinho, falavam de tudo que influenciava essa galera, e é claro que o que mais rolava eram as bandas que estouravam por lá, e nós aqui da terrinha tinhamos pouquíssimo acesso a elas, a cultura do mp3, ipods e o acesso ilimitado a downloads mil nem passava pelas nossas cabeças oitentistas. Ficavamos só babando, sedentos até que uma boa alma descolasse um disco dessas bandas gringas para podermos gravar em nossas k-7’s.  Prong, Danzig, Onix, Bad Brains, figuravam nas páginas, mas uma banda em especial me chamava a atenção naquela época, divulgando seu mais recente disco. Ainda tenho nítida na memória o anúncio em folha dupla na revista Trasher, era o lançamento do disco do Social Distortion (uma banda com esse nome não pode ser ruim, pensava eu). Fui conseguir ouvir o som da banda alguns anos mais tarde, e de cara veio a sensação de que valeu a pena esperar tanto tempo. Hoje tenho todos os discos devidamente digitalizados e vez ou outra me inverno ouvindo-os por semanas.

A Banda é californiana, formada em 78, e entre idas e vindas, mortes e rehabs, o fundador e líder Mike Ness (o único integrante da formação original),  ainda tem a mesma pegada punk, simples e rápida, falando direto e sem rodeios das decepções da vida, de um submundo escapista, dos que vivem a margem, onde as referências da juventude justificam as atitudes adultas, é a boa e velha falta de esperança “No Future”. O nome da banda é ideal para seus temas, a hipocrisia, os manipuladores, e a  juventude perdida americana. Músicas como “Mommys Little Monster”, “Don’t Drag Me Down” , “Story Of My Life” entre tantas outras resumem muito bem o mundo de Mike Ness. Junto com nomes como Dead Kennedys e Bad Religion o SD foi umas das bandas de frente que mantiveram o punk rock vivo nos anos 80 e influenciaram meio mundo de bandas dos 90.

São seis discos lançados, mais um ao vivo e outros greatest hits. Na década de 80 chegou “Mommy’s Little Monster” mais especificamente 83, apresenta as credenciais da banda, vigoroso e direto, é o punk rock como deve ser,  depois de se separarem em 85 para um rehab de Mike Ness, em 88 veio “Prison Bound”, com quase todas as músicas citando uma prisão, imaginária ou real, dilemas morais, um mundo fora da lei, viva rápido, morra jovem, numa pegada meio faroeste, como a faixa título, um southern rock punk moldando o perfil da banda e preparando para o próximo petardo auditivo, o disco homônimo “Social Distortion” que em 1990 saia do forno trazendo “Story Of My Life” e “Ring of Fire” como destaque e expondo as influências da banda, de Stones ao country-blues  misturados no molho do velho e sujo Punk Rock como em “It Coulda Be Me” e “Drug Train”. Dois anos depois chegava “Somewhere Between Heaven And Hell”, um disco palatável, mas fiel aos preceitos da distorção da sociedade, com uma sucessão de ótimas músicas, “Cold Fellings” e ” Bad Luck” introduzem o disco, e daí pra frente é só a felicidade de uma estrada vazia e um pé no acelerador.  “Bye Bye Baby” e “King Of Fools” estão entre as minhas preferidas. Em 1996, “White Light, White Heat, White Trash” traz um SD maduro, o som seguro e pesado na medida certa, mantém suas origens e mostra que a banda descobriu a receita de fazer um disco excelente do começo ao fim. Ouça com atenção e satisfação as “Dear Love”, “Don’t Drag Me Down”, “Down Here (W/the Rest Of Us)”, que estão em sequência. Em 98 gravaram ao vivo no “Live At The Roxy” repassando 20 anos de banda. Depois de um período de silêncio, em 2004 chega seu último lançamento “Sex, Love and Rock’n’roll”, um disco que eu poderia chamar de nostálgico, sentimental e romântico no sentido literário, montado em lembranças, e por isso mesmo excelente. Um disco-análise, quem sabe? A saudade da juventude e resposta à “Story Of My Life” de 1990. Esse disco mostra que as coisas envelhecem mas permanecem lúcidas o suficiente para não se arrependerem mas não errarem novamente. Para cada música uma memória, ouça “Don´t Take Me For Granted”, “Nickels And Dimes”, “I wasn´t born to follow”, “Winners and losers” e “Angel´s wings”.

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Depois desse post altamente sentimental só me resta por minha velha jaqueta de couro preta, meu coturno batido e ir ao show da Turnê Latino-americana da Banda, meu ingresso tá garantido, mas já passo o serviço:

Show: Social Distortion

17 de abril –  São Paulo – Via Funchal
18 de abril – Curitiba – Curitiba Master Hall
20 de abril – Porto Alegre – Centro de Eventos Casa do Gaúcho

Hit the punk rock, amiguinhos!

Asta.

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