Chegou a hora de falar do meu “Projeto Volksrod”. Para tanto fiz uma visita a Bad Bug Garage, para tirar todas as minhas dúvidas sobre como construir um Volksrod. A conversa serviu preu decidir qual caminho seguir e como viabilizar o meu projeto, mas também serviu para trazer essas informações para o blog e compartilhá-las. Afinal, a informação é feita pra rodar.

A oficina de customização é a pioneira na idéia dos Volksrods aqui no Brasil, como já havia comentado, foi quando vi o fusca Harley Bug (uma das primeiras criação da oficina), que ficava parado perto da minha casa, em frente ao prédio onde morava Eric Martins, dono da Oficina e Escuderia daqui de São Paulo, que decidi levar a frente essa história de projetar um fusca Hotrod ou, o Volksrod. Entre idas e vindas acompanhei como espectador a evolução da idéia e da oficina, antes na Lapa, depois na Pompéia e agora em definitivo na Caio Graco, na Lapa novamente.

A Bad Bug Garage surgiu de um passatempo de amigos, e uma vontade “do it yourself”. Desde o primeiro fusca, preto fosco com rodas vermelhas, a evolução é clara, e as propostas cada vez mais ousadas, como um volksrod baseado no raro modelo Stoll Coupe que estava em fase de produção quando visitei a oficina e será um carro de exposição, e num projeto futuro, comentado por Eric, de um Fusca pickup com motor V-8, um “autêntico” hot rod. A criatividade é o limite e caracteriza o posicionamento da Escuderia.

Foram mais de 1 hora de papo começando ao som de Black Sabbath que tocava no rádio, e mais um tempo para uma sessão de fotos ao bom e velho estilo old School, usando uma camera russa, a Lomo e uma Pentax K1000 totalmente mecânica. Infelizmente não consegui pegar nenhum projeto em finalização, de qualquer forma o ambiente já rendeu bons cliques, apesar de um dos filmes ter dado problema rolou um Photoset bacana. Aproveito para agradecer o Eric pela atenção e pela aula sobre fuscas e a cultura hot rod e old school. Enjoy!

A conversa gerou bastante material, então eu decidi decupar as dicas em posts separados focando cada assunto e vou pondo no ar a medida que produzo.

Ficamos assim então, fiquem ligados, nos próximos posts vou listar dicas e idéias que consegui tirar da visita. Vamo que vamo!

E se quiser fazer uma visita e tirar suas dúvidas pessoal, segue o jabá: BadBug Garage, Rua Caio Graco, 216 na lapa, ou acesse o site da bad bug clicando aqui.

Desde sempre é a utopia a grande responsável pela evolução humana, imaginar coisas que são impossíveis, pelo menos no seu espaço tempo é a chave da inovação. Mas aqui não falaremos apenas de utopia, mas também de inocência junto com talento e ímpeto. Esses elementos definiram a vida de Preston Thomas Tucker e sua Tucker Corporation.

Num 1945 do pós-guerra que marcava a retomada da produção de automóveis para uso civil nos EUA, as grandes fábricas de material bélico do país dariam lugar a indústrias automobilísticas, as grandes de Detroit, GM, Ford e Chrysler foram impedidas por Franklin Roosevelt de comprar essas instalações para evitar a formação de monopólio, o que obviamente foi recebido com protestos pelas corporações. Uma dessas instalações, uma fábrica de aviões montada pela Chrysler em Illinois foi comprada por Preston Tucker, sua idéia era produzir um carro totalmente diferente e inovador tomando pro base toda a evolução técnica e tecnológica surgida no período da produção bélica. Engenheiro brilhante ele tinha uma visão particular de inovação, e ela estava ligada a segurança, à economia e ao conforto, à estabilidade aliada a um design aerodinâmico. Seu projeto se chamaria Tucker Torpedo, ou Tucker 48.

Entre as inovações propostas por Tucker estavam:
– Freio a disco nas quatro rodas;
– suspensão independente;
– motor de helicóptero de 150cv a ar traseiro em alumínio;
– 6 cilindros com injeção mecânicade de gasolina;
– faróis direcionais comandados pelo volante;

Os ítens segurança são o destaque:
– cintos de segurança de série;
– interior acolchoado (uma espécie conceito rudimentar das capsulas de sobrevivência dos carros atuais);
– para-brisas que se desprendiam para fora do carro em caso de colisão; – maçanetas internas embutida no corpo da porta;
– materiais leves como plástico flexível para minimizar danos aos passageiros em caso de colisão, entre outras.

É claro que uma proposta tão inovadora causou desconforto entre as grandes de Detroit, que já amargavam um descontentamento com a situação, e agora teriam que repensar sua frota ($$$$$$$) caso o projeto de Tucker fosse bem sucedido. Então, munidos de desprezo e falta de caráter utilizaram todos os artifícios sórdidos tão recorrente desse meio. Através de imprensa comprada e juizes e políticos corrompidos aniquilaram a imagem de Thomas Tucker numa enxurrada de demandas judiciais e matéria pretensamente delatórias, de tabela afundaram a Tucker Corporation pelo descrédito causado. No fim, restaram apenas 51 unidades do Tucker 48 “Torpedo” feitas a mão, uma está aqui nas terras do Zé carioca.

É aquela velha história, a justiça, a imprensa, política e grandes corporações não podem andar juntas, isso cria um ambiente altamente permissíveis e corrupto. A história de Preston Tucker nos dá exemplo de como corporações destroem a iniciativas que pensam no “bem maior”, no conceito absoluto do que é “novo”. São os fundamentos do capitalismo trabalhando numa época selvagem e predatória da economia mundial.

Essa história é contada no filme “Tucker, um homem e seu sonho”, de 1988, numa cinebiografia filmada por Coppola com produção de George Lucas, que infelizmente ainda não consegui assistir novamente para fazer um novo post de “roadmovie”, providenciarei.

Introdução dada, vamos entender onde essa história resvala na evolução automotiva do país. Com o final dos processos jurídicos nos EUA e declarada sua inocência, Tucker vê frustrada a sua empresa de criar um carro inovador nos EUA, porém seu ímpeto e sua iniciativa criativa ainda tem força suficiente para pensar em novos empreendimentos.

Fumante convicto, Tucker foi diagnosticado com cancêr de pulmão, desenganado pelos médicos, desembarcou nas terras tupiniquins atrás de fórmulas naturais para combater a doença, aqui vislumbrou uma indústria automobilística imberbe e um entusiasmo industrial crescente num país que ansiava pela evolução, pelos “50 anos em 5” de JK. Histórias desencontradas dão conta de encontros com empresários e políticos para viabilizar a empreita de Tucker que era nada menos que um automóvel baseado nas idéias de seu Tucker Torpedo, mas desenvolvido nos conceitos da realidade brasileira da época, um carro pequeno e econômico de quatro lugares, mas com um apelo esportivo, com todas as inovações e conceitos sobre segurança já desenvolvidos e testados por Tucker, Era o Tucker Carioca.

Os materiais escassos e a informação desencontrada transformaram esse projeto em uma lenda automobilística, isso porque Tucker morreu em 1956, no início do desenvolvimento do Carioca e o projeto foi descontinuado. Na verdade não se sabe bem até que ponto ele foi desenvolvido, nem se o financiamento estatal realmente exisitia.

A verdade é que a indústria automobilística nacional teria outra linha de desenvolvimento caso tivessemos o Tucker Carioca. Imagine na década de 50 ter um carro com inovações tecnológicas avançadas numa indústria em construção, talvez teríamos Renaults, Peugeots e Fiats brasileiros, talvez fossemos hoje exportadores de tecnologia e não apenas consumidores mudos. Todos os conceitos de tucker no decorrer do século XX foram se tornando indispensáveis para os consumidores e indústria. Algumas idéias, como a dos faróis direcionais estão começando aparecer em carros como mercedes e os top de linha da Citroen, outras foram incorporadas nos carros modernos e hoje são a realidade vigente. Mas é isso, os bons morrem cedo.


Inspira… Respira…

Nestas buscas infindáveis pela internet, vez ou outra a gente se depara com alguns carros interessantes, com designers que trazem aquele componente inovador dentro de uma proposta diferente em cima de um projeto que poderia muito bem ficar lugar comum. Foi isso que aconteceu quando me deparei com esse projeto da POSIES Rods and Customs, que fica em Hummelstown, Pensilvânia. As criações da Posies estão entre as mais bem acabadas que já encontrei por aí e sempre tem uma preocupação de detalhes de design e soluções não convencionais, seus projetos são sinônimos de inovação dentro do mercado americano, competitivo e desenvolvido, mas cheio de regras.

No caso desse Chevy Fleetliner Sedan 1947, o que chama a atenção é a agressividade, a inspiração é claramente tirada dos Ratrods, com uma pintura fosca e acabamento sem os cromados, a construção do carro segue uma linha definida, num design consiso que dá harmonia ao projeto.

O carro foi construído para ser apresentado no SEMA show de 2006 e ao buscar mais informações sobre o bólido achei o projeto mais interessante ainda. Posies foi contra as normas e criou um carro com inspiração hotrod mais sob suas próprias regras. Ele não se encaixa nas classificações, não é um roadster, nem um coupé, seu motor não é um V8, é um Roush 6 cilindros em linha, seu “shape” é baixo e alongado, seu corpo é estreito e rebaixado, suas rodas são inspiradas nos velhos caminhões de entrega de leite. O interior é simples, com o mínimo necessário, mas confortável com destaque para o padrão xadrez do revestimento interno. Como qualquer carro feito pra dirigir rápido, os itens de segurança tiveram atenção especial, incluindo chassis e suspensão especiais. Com pintura fosca, rebites aparentes, sem paralamas, talvez o parabrisa bi-partido seja essencialmente a única marca do carro de origem.

Segundo seu criador, foi um carro feito pela diversão e pelo prazer, e não para elogios, apesar deles não faltarem. A meu ver é assim que se deve fazer as coisas.

Ao fugir das convenções a Posies mostra criações inovadoras que acabam se tornando referência, essa é a visão de um cara que não tem que provar nada pra ninguém, afinal, regras estão aí para serem quebradas e ele faz isso desde 1964. Confira sua galeria no HubGarage, e me diga se estou errado.

Dia 04 de abril passado os camaradas da Escuderia Bad Bug inauguraram a nova sede e oficina.

Sei, sei, to meio atrasado, mas isso não importa muito, afinal o blog não existia ainda naquela época.

Nem vou falar muito sobre a Bad Bug por que estou preparando uma matériazinha com os caras, por enquanto só precisam saber que quando vi o primeiro Ratwagen construído por eles é que toda essa história de projetar um Volksrod ganhou força, é claro que já tinha o fusca no sangue, mas aquele carro deu outra visão para o projeto.

Enquanto a matéria não fica pronta, aí vão algumas fotos do dia da inauguração, só um aperitivo.

That´s all, folks… por enquanto.

Em 1917, Harry Miller construiu um carro chamado Golden Submarine, foi o primeiro projeto de destaque do homem que viria a se tornar um dos mais importantes construtores de carros de corrida dos Estados Unidos.

Em 2008, a Webb Automotive Art, mas precisamente seu proprietário Dan Webb, resolveu desenvolver o incrível projeto de construção inspirado em fotos do bólido de corrida de 1917 para apresentá-lo no SEMA Show 2008. A idéia era fazer um interpretação moderna do carro, o Golden Sub Modern interpertation, mantendo uma linha de pensamento de construção original da época.

O mais impressionante é todo o processo handmade que podemos acompanhar nas fotos da evolução da construção do carro, é indiscutível o talento no trato com o metal (no caso o alumínio), apesar do layout espartano, o desenho e o cuidado com os detalhes do carro chamam atenção, isso tudo baseado apenas em fotos da época. Numa olhada geral temos a impressão de que a estrutura toda é um bloco compacto de metal esculpido. As linhas extremamente precisas dão um tom aerodinâmico surpreendente. A estrutura é puxada por um motor Ford Racing Zetec ZX3 de 175 cavalos de força.

Esse trabalho redefine o termo arte sobre rodas.

Achei alguns vídeos da coisa funcionando.

E um do que eu acredito ser uma réplica na pista em 2004.

O resultado de toda essa labuta foi o prêmio “Best of Show”  no SEMA Show 2008.

Aquela visão bonita numa foto amarelada, seu tio avô levando a mulequeda pra pescar na beira do rio num interior qualquer. AAAhhh…. aquela kombi, quantas recordações, aquelas sessões da tarde em ritmo de pura confusão.

Bom, isso se o seu tio avô não for o americano Ken Prather, e a kombi em questão não for essa 62.

Vejamos os números:

– V- 8 350 smal-block.
– 250 Km em apenas 4.3 seg.
– Teto rebaixado em 7 polegadas.
– 4 anos pra ficar pronta.
– 1 vasinho de flor no painel.

Não tem muito o que dizer dessa kombi, a não ser lamentar que não era a kombi do meu pai.

Fora esse motor absurdo e toda a técnica e habilidade usadas para fazer essa composição funcionar, o tiozinho ainda caprichou no design, com esse visual meio Madmax, misturado com steampunk e com uma pitada de Corrida da Morte 2000, o de 75, com o stallone é claro.

Com certeza existem outras kombis V8 por aí, mas temos que concordar, essa é hors concours. Ela prova também que idade não importa quando temos uma boa idéia e técnica para fazê-la funcionar.

Inspira #01 – HebRod

julho 24, 2009

Esse é o primeiro “Inspira”.
Sempre que eu achar um carrinho inspirador vou postar aqui sob esse Tag.
Pra começar essa sessão escolhi um carrinho realmente inspirador, o rapazinho vem lá do canadá, e depois de algumas pesquisas descobri a história por trás dessa belezinha.

O pai da criança é Geoff Peterson, um canadense que possui uma oficina especializada em automóveis com motores a ar. A história saiu numa edição epecial da revista nacional Rod&Custom, que teve as edições esgotadas, mas outro dia encontrei este link aqui, que é a revista on line.

Mas resumindo, o cara vinha desde 2002 com uma idéia de fazer um hebmüller, em 2004 ele achou dua portas e péssimo estado do modelo onde surgiu a idéia do HebRod. E foi sem muita experiência em solda ou lataria que ele começou o projeto, um hebmüller hot rod partindo de duas portas mal acabadas. Ao todo foram 7 fuscas utilizados na construção e o resultado foi um carro rico em detalhes, muito bem pensado e visualmente impecável, lançado em Junho de 2006.

É isso aí, no velho “do it yourself” é só ter uma idéia na cabeça e não se intimidar com muitos calos na mão.

Consegui juntar uma galeria bacana do bicho:

Tem também estes vídeos dessa belezinha rodando:

O site do projeto é bem precário mas tem uma animação que mostra mais ou menos o processo de construção do carro, que vc pode ver aqui.

É isso aí.

Inspira…. Respira….